segunda-feira, 18 de junho de 2012

Redução de juros provoca demanda por diversificação


Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo 

A indústria de fundos de investimento no Brasil, que tem um patrimônio líquido de R$ 2 trilhões, está passando por um novo momento, proporcionado principalmente pela política de redução dos juros básicos da economia por parte do Banco Central (BC), que na última reunião fixou a taxa Selic em 8,5% ao ano. Com isso, os fundos baseados nas taxas de juros básicos (e também seu espelho, o CDI), como os tradicionais DI, classificados como de baixo risco, tendem a ser menos atraentes, o que cria uma tendência de migração por parte dos investidores, como já apontaram os resultados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Os fundos de investimento fecharam o mês de maio com resgate líquido de R$ 4,236 bilhões, segundo dados da Anbima.  Com a tendência de redução da taxa básica de juros, os fundos DIs lideraram os saques no mês, registrando saída líquida de R$ 6,740 bilhões. No ano, a categoria acumula aporte líquido de R$ 17,192 bilhões.
Os multimercados também registram resgate líquido em maio que somaram R$ 5,275 bilhões. No ano, no entanto, a categoria acumula entrada líquida de R$ 4,780 bilhões.Já os fundos de renda fixa tiveram captação líquida de R$ 3,707 bilhões no último mês, impulsionada pelos fundos renda fixa índice, que podem aplicar em papéis prefixados e indexados à inflação. No ano, a categoria acumulava aporte líquido de R$ 24,052 bilhões.
O diretor de Investimentos da HSBC Global Asset Management, Mário Felisberto, confirma que já há um movimento de clientes, que preocupados com a perda de rentabilidade dos fundos atrelados à Selic, estão buscando novas opções oferecidas pela instituição financeira. “O investidor está tomando consciência de que não adianta ficar somente num investimento conservador. Se quiser ganhar mais, ele terá que correr mais riscos”, afirma Felisberto. “O desafio é preparar os clientes para que essa migração seja gradual e pouco traumática”, destaca o executivo.

De acordo com Felisberto, o HSBC já vinha desenhando a estratégia de trabalhar com um cenário de juros mais baixos e se preparou para oferecer aos clientes produtos mais sofisticados. O diretor aponta, por exemplo, a tendência de fundos de renda fixa baseados em crédito privado ou a índices de preços (como o IPCA) ou nos fundos multimercado, que podem combinar renda fixa e variável em sua composição.

Entretanto, ele avalia que momento de mercado não é recomendável para investimentos em fundos de ações. “A redução nas taxas de juros tende a favorecer os investimentos em bolsa, mas o mercado de ações tem sido afetado pela tensão no cenário internacional”, afirma Felisberto. “Precisamos tem cuidado nesta transição. O investidor que sair diretamente de um fundo de DI para o mercado de ações pode se machucar”, diz ele. 

O Itaú vem se preparando desde 2005 para este momento do mercado afirma o head da área de Multimercados da instituição financeira, Marcelo Siniscalchi.  “Nós apostamos neste cenário de convergência de taxas de juros há oito anos e buscamos os melhores profissionais do mercado para trabalhar dentro dessa estratégia”, afirma o executivo. “O resultado foi que em 2005 tínhamos um PL de R$ 190 milhões em head funds e hoje chegamos a R$ 5 bilhões”, afirma o executivo.

Com o novo cenário, acredita que os fundos Siniscalchi multimercados podem ganhar ainda mais espaço, por conta da possibilidade de diversificação dos investimentos. “É importante que o cliente saia que existem diversos tipos de fundos multimercados, para perfis diferentes de investidores”, afirma ele. Há fundos multimercado mais arriscados ou moderados, com ou sem renda variável na carteira, e o gestor podem optar por ações ou cestas de moedas, por exemplo.

Paulo Barbosa, sócio da STK Capital, gestora de recursos com foco em renda variável, afirma que a boas opções no mercado de ações, mesmo com a volatilidade das bolsas do redor do mundo, inclusive no Brasil. “O mercado de bolsa é o único que, quando há uma promoção, os clientes saem correndo da loja”, brinca Barbosa, se referindo ao fato de muitos papéis, em razão da crise global, estarem excessivamente descontados.
Barbosa ressalta que o investidor de fundo de ações deve levar em conta um estratégia de longo prazo. Um dos fundos geridos pela STK tem posições primordalmente compradas, também considerando a capacidade de distribuição de dividendos das empresas investidas. 

Os dividendos são repassados mensalmente aos cotistas do fundo, o que reduz o imposto de renda incidente sobre os rendimentos no resgate de cotas (os dividendos são isentos de tributação). De acordo com ele, a STK também tem apostado em setores e empresas que avaliam ser promissores, como o Banco Itaú Cosan e companhias que atuam na área de shoppings.

Marcos Antonio Martins, sócio da Pulsar Invest, especializada na gestão de grandes fortunas, ressalta que grande parte dos clientes ainda são conservadores em relação ao grau de risco. Mas, ainda assim, ele acredita que deve haver uma maior exposição dos investidores em produtos de renda variável. A Pulsar, através de sua controlada GPS, monta a carteiras de investimentos de acordo com a necessidade de seus clientes e suas famílias – a empresa não vende financeiros próprios - que devem ter no mínimo R$ 3 milhões para aplicar. 

Os gestores independentes acham que o novo cenário é benéfico para as instituições que, segundo eles, têm mais flexibilidade para atender os clientes da área de fundos do que os grandes bancos, que hoje ainda concentram grande parte das operações no mercado brasileiro. A Órama Investimentos aposta na plataforma da internet para oferecer aplicações em fundos para clientes que têm a partir de R$ 5 mil para investir. De acordo com a consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco, a proposta é dar ao varejo acesso a fundos antes limitados aos clientes de altíssima renda dos private banks. “Oferecemos fundos sofisticados que normalmente exigiriam dos clientes aplicações iniciais bem mais elevadas”, afirma a consultora de Investimentos. 

O diretor técnico da Apogeo Investimentos, Paulo Bittencourt, acredita que é hora dos investidores de fundos saírem da “zona de conforto” e procurarem opções mais diversificadas no mercado, embora ressalte que a migração não será tão fácil, por falta de mais produtos diferenciados. A ideia é da Apogeo oferecer aos clientes da gestora um “coaching financeiro” para a escolha do melhor produto compatível com seu perfil.

“Dificilmente um cliente vai sair de um fundo DI e aplicar diretamente na Bolsa. Ele deve experimentar primeiro um fundo de ações”, exemplifica Bittencourt.  A Apageo tem sete fundos  em operação, sendo três referenciados DI, dois multimercados e dois de ações. O público-alvo da gestora são clientes que tenha entre R$ 25 mil e R$ 3 milhões para investir.


  

terça-feira, 5 de junho de 2012

Redução de custo reforça o potencial dos ventos


Por Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo 

A energia eólica deixou de ser considerada uma fonte alternativa e cara no Brasil, onde há um cenário de franca expansão dessa matriz energética, que é apontada como uma das mais limpas. Aliada às condições climáticas favoráveis, principalmente no Nordeste e no Sul do País, a redução dos custos de produção tornou o setor atraente não apenas para as empresas que geram energia, mas também para os grandes fabricantes globais de equipamentos eólicos, que encontram no Brasil um mercado mais promissor do que outros consolidados, como a Europa Ocidental.
“A energia eólica está inserida definitivamente na matriz enérgica brasileira”, afirma a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo. Para a executiva, a questão ambiental (com o crescimento do uso de energias renováveis), as condições favoráveis para o uso da energia dos ventos no Brasil e o fator econômico, com o barateamento dos projetos eólicos, foram decisivos para a consolidação do quadro positivo do setor no País.
A presidente da Abeeólica ressalta que os os investimentos em tecnologia fizerem com os preços dos equipamentos fossem reduzidos. Além disso, lembra ela, a conjuntura internacional de desaquecimento econômico, em especial na Europa, provocaram cortes de projetos de expansão e de subsídios no setor de energias renováveis. Resultado: ociosidade no parque mundial de fabricantes e a consequente pressão de redução nos preços.
“Em 2004, a o custo de geração de cada MWh era de R$ 6,4 milhões, enquanto que atualmente é de R$ 3,4 milhões, o que tornou a expansão do setor economicamente viável”, destaca a executiva. Ela ressalta que hoje as diferenças de custos da eólica em relação à energia hidrelétrica, que anteriormente eram grandes, foram reduzidas ao longo dos últimos anos. Em 2005, o megawatt-hora (MWh) eólico custou R$ 306, em 2011 o MWh chegou a R$ 102, preço próximo ao da fonte hídrica.
Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10% desse total, ou 6.750 MW, se referem a projetos eólicos. Em 2005, Brasil detinha dez usinas eólicas de 28 MW. Nesse ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética (EPE).  
Conforme a presidente da Abeéolica, com esses investimentos, a expectativa do setor é que a participação da energia eólica na matriz energética brasileira salte dos atuais 1,4% para 5% do total em 2014, quando todos os parque eólicos que estão em fase de implantação já estiverem operando. A meta, segundo ela, é manter a contratação de 2 mil megawatts (MW) anualmente.
“O Brasil tem hoje uma dos menores custos do mundo de geração de energia eólica”, aponta o diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM),  o pesquisador Osvaldo Soliano Pereira. Ele lembra que há outro fator importante para promover a expansão da energia eólica no Brasil: as restrições cada vez maiores que os grandes projetos hídricos no que se refere à questão ambiental. “Há uma dificuldade crescentes nos licenciamentos ambientais dos grandes projetos de hidrelétricas, o que favorece o uso de outras energias renováveis, como a eólica”, ressalta Pereira.
De acordo com dados de dezembro de 2010, o Brasil ocupa a 21º posição em termos de capacidade instalada de energia eólica.  O lider do ranking é a China e em seguida vêm os Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia. Mas o Brasil deve ganhar várias posições rapidamente, já que perde somente para China e a Índia no ritmo de expansão de energia eólica, afirma Elbia.
O Brasil também está entre os países mais atraentes do mundo para a realização de novos investimentos no setor. De acordo com o estudo  “Renewable energy country attractiveness indices”, publicado em maio último pela Ernst & Young Terco, o Brasil ocupa a 11ª entre os países mais atraentes nesta área, cinco posições acima do mesmo período do ano passado e uma posição abaixo do levantamento feito no trimestre anterior. “Houve uma variação suave em relação ao trimestre anterior, mas isso não significa que a médio e a longo prazo o cenário deixou de ser muito  positivo para a energia eólica no País”, afirma Luiz Claudio Campos, sócio de Transações da Ernst & Young Terco.
De acordo com Campos, a variação trimestral ocorreu por conta do adiamento de junho para agosto do leilão de energia produzida por fontes renováveis (biomassa, eólica e pequenas centrais hidrelétricas) e do atraso do início da produção de alguns projetos de parques eólicos no País. Ele ressalta, entretanto, que hoje o Brasil se tornou um polo de atração para produtores de equipamentos para o setor. Por conta do cenário turbulento na Europa, aliado ao bom momento do Brasil nesta área, os fabricantes aceitam taxas de retorno menores em seus investimentos, contribuindo para reduzir os custos de produção locais, destaca o sócio da Ernst & Young Terco.
Há uma série de novos investimentos programados para a produção de equipamentos eólicos no Brasil. A empresa alemã Fuhrländer , por exemplo, iniciou a construção de uma fábrica de aerogeradores na cidade de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará. A fábrica tem um investimento previsto de R$ 15 milhões em sua primeira fase. Se for ampliada, a unidade poderá receber aportes de mais R$ 30 milhões. A previsão da Führlander é  começar a produzir no início de 2013.
No mesmo estado, a dinamarquesa Vestas está iniciando a produção de sua fábrica localizada na cidade de Maracanaú. Com investimento de R$ 28,4 milhões,.é a primeira unidade da empresa na América Latina.  A divisão de energia da companhia americana GE também assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para instalar uma fábrica de turbinas para a geração de energia eólica, com investimentos ao redor de R$ 45 milhões.
A argentina Impsa, um dos maiores grupos do setor elétrico na América Latina, também aposta na expansão do mercado brasileiro, com a construção de duas novas unidades industriais voltadas à produção de equipamentos para  energia eólica  e a ampliação de outra já em operação. Além das condições de mercado, o vice-presidente da operação brasileira da Impsa, José Luiz Menghini, avalia que marco regulatório da energia no País também criou um cenário favorável para novos negócios na área. “O bom momento do mercado támbém é resultado do processo de transparência que ocorreu nos leilões de energia eólica”, afirma ele.
Menghini ressalta que a empresa tem desenvolvido tecnologia no Brasil e que a América Latina está se tornando um polo tecnológico para o setor eólico.  

“Os engenheiros latino-americanos não devem nada aos da Europa. Ao  contrário, eles têm que ser muito mais criativos. Além disso, você tem que desenvolver uma tecnologia de acordo com condições locais. As condições dos ventos são diferentes no Nordeste, no Rio Grande do Sul, na Patagônia ou na Europa”, explica ele. 

Uma  nova unidade da Impsa, com capacidade para instalar 140 aerogeradores por ano  será instalada no Rio Grande do Sul, em cidade ainda a ser definida. De acordo com o vice-presidente da operação brasileira,  a planta deve ser inaugurada em 2013. O investimento inicial é de R$ 100 milhões e pode chegar a R$ 175 milhões.

A empresa também projeta a mplatação de outra unidade, que ficará encarregada da chamada eletrônica de potência, os dispositivos de processamento, conversão e controle de geradores. O local ainda não foi definido. Já  atual unidade de aerogeradores de Suape receberá entre R$ 45 e R$ 50 milhões em  equipamentos e infraestrutura. 

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Operação de TUPs receberá R$ 21 bi nos próximos anos


Por Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo

Os Terminais de Uso Privativo (TUPs), que são operados por grandes empresas exportadoras e importadoras, lideram com folga a movimentação de carga no sistema portuário brasileiro. A liderança deve se acentuar nos próximos anos, já que, de acordo com Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), do total de investimentos previstos para o setor nos próximos anos, de R$ 30 bilhões, nada menos que  R$ 21 bilhões serão aplicados na construção, ampliação e operação de TUPs.

“Os terminais privativos são uma ferramenta estratégica e um catalizador dos empreendimentos industriais”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Mantel, destacando que, sem o investimento privado por parte das empresas privadas o País não atingiria os volumes recordes na movimentação de cargas nos últimos anos.

De acordo com Manteli, os dados divulgados pela Antaq com a movimentação de cargas no País no passado mostram a importância dos TUPs para o sistema portuário brasileiro. Das 886 milhões de toneladas que foram movimentadas em 2011, 557 milhões foram das TUPs  o equivalente a 62,9% do total, conforme  dados da Antaq. Foi uma alta de 2,2% sobre o ano anterior, quando os TUPs movimentaram 545 milhões de toneladas. Os crescimentos nos anos anteriores foram maiores, de 10,2% e 15,2% , sobre 2008 e 2009, respectivamente.

O minério de ferro e os combustíveis, óleos minerais e produtos foram os grandes responsáveis pela movimentação de cargas. Esses dois grupos de mercadorias responderam por nada menos do que 92,9% da movimentação de cargas nos TUPs e por 58,4% do volume geral do sistema portuário brasileiro.


O TUP da companhia Vale, localizado em Tubarão, no Espírito Santo, liderou a movimentação de cargas no Brasil no ano passado, respondendo por 12,43% de total. A operação com minério de ferro, especialidade deste terminal, respondeu por quase todo o volime. Outro terminal da Vale, o Ponta da Madeira, no Maranhão, ficou na segunda colocação, com 11,54% do total.

Entre os terminais especializados em granel líquido, a campeã foi a TUP Almirante Barroso, da Petrobras, que perdeu apenas no geral para as unidades da Vale e os portos de Santos e Sepetiba. O Almirante Barroso movimentou 5,61% do total em 2011 de cargas.

E a Petrobras vai investir para ampliar a capacidade de atracação de petroleiros deste terminal, localizado em São Sebastião (São Paulo)  A obra, que começou a ser estudada em 2007, é estimada em R$ 250 milhões. A Transpetro, subsidiária da Petobras para as áreas de logística e transporte, vai instalar a nova estrutura, de 1,7 km, na parte norte do canal, em frente a Ilhabela, e começou a discutir o impacto do projeto com órgãos ambientais.

A outra gigante do setor, a Vale, também tem planos ambiciosos na área. A Vale Fertilizantes pretende se tornar a maior operadora de logística integrada para exportação de granéis sólidos do porto de Santos (SP). Com investimentos de R$ 3,5 bilhões na Ferrovia Centro Altântica (FCA) e na ampliação do Terminal Marítimo Ultrafertil (TUF), em Santos, ambos sob sua concessão, a companhia passará a exportar soja e açúcar. Atualmente, a companhia apenas importa a matéria-prima para atender a demanda própria por fertilizantes.

Concluída a obra, a empresa terá capacidade para armazenar 518,5 mil toneladas de soja e açúcar. O volume equivale a 37% da oferta atual dos oito terminais que escoam os dois produtos pelo Porto de Santos. A instalação com maior capacidade tem capacidade de estocagem de 280 mil toneladas de grãos. O projeto está atualmente em licenciamento ambiental e a entrega prevista é em 2015,

Já o Superporto do Açu, da LLX, do grupo do empresário Eike Batista, será um complexo Portuário Privativo de Uso Misto, com a construção de dois terminais, TX 1 e TX2. De acordo com a empresa, já foram assinados 70 memorandos com empresas interessas em operar no complexo, localizado no Norte fluminense.

Entre eles está o acordo com a Wisco (Wuhan Iron and Steel Co.), terceira maior siderúrgica da China, e contrato com a Ternium para a instalação de parque siderúrgico no Superporto do Açu, com capacidade inicial de produção de 8,4 milhões de toneladas de aço bruto por ano. Além disso, a LLX também possui protocolos de intenção assinados com a General Electric Energy do Brasil (GE) para produção de equipamentos para os segmentos de energia e óleo e gás.

A companhia também assinou contratos com a NKT Flexibles (NKTF) e com a Technip Brasil para a instalação de unidades para produção de tubos flexíveis para apoio a indústria offshore no Superporto do Açu.

Entre 2007 e março de 2012 foram investidos R$ 2,6 bilhões no empreendimento. O montante foi aplicado principalmente na dragagem do canal onshore e construção do quebra-mar (TX2), implantação da linha de transmissão e aquisição de terrenos. No mesmo período também foram realizados investimentos na montagem da correia transportadora, empilhadeira e recuperadora que serão utilizadas para movimentação de minério de ferro no terminal offshore (TX1).



terça-feira, 29 de maio de 2012

Mudança de perfil


Por Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo

A concessão de crédito imobiliário no Brasil passou por uma forte expansão nos últimos anos, quadro que deve se repetir em 2012. Mas o grande desafio do setor é manter os níveis de crescimento elevados, em meio a um cenário de novas regras para a remuneração das cadernetas de poupança - que se mantêm como a principal fonte de financiamento - e a necessidade de se criar novos instrumentos financeiros para o fornecimento de crédito.

Afinal, o volume de financiamento ainda tem que crescer muito para ao menos se aproximar de outros países, inclusive da América Latina, como México e Chile, que apresentam relação entre crédito habitacional e Produto Interno Produto Interno (PIB) de, respectivamente, 11,2% e 18,5%. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), relativos a fevereiro último, a proporção no Brasil é de 5,1%, o que deixa o país atrás de emergentes como a Índia (6%) e China (10,9%).
Conforme as novas regras definidas pelo governo para os depósitos da poupança feitos a partir de 4 de maio, toda vez que a taxa Selic ficar igual ou menor a 8,5% ao, a rentabilidade da caderneta passará a ser de 70% da taxa básica de juros, mais a Taxa Referencial (TR). Como os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos dessa modalidade de financiamento para o crédito imobiliário e as cadernetas respondem por cerca de 70% do financiamentos, uma eventual queda na captação poderia afetar o sistema. Essa perspectiva, no entanto, ainda não preocupa o mercado. Em contrapartida, como uma das intenções do governo com essa medida é criar condições para reduzir a taxa Selic, os financiamentos imobiliários podem se beneficiar desse movimento e ficarem mais acessíveis no futuro.

Na avaliação do diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Stofer, a poupança continuará a ser um investimento atrativo e, por isso, o volume de captações não deve cair. Mesmo assim, ele ressalta que o grande desafio é criar novos instrumentos de financiamento de imóveis. "Já há algum tempo, os recursos da poupança são insuficientes para atender a toda a demanda de crédito imobiliário que existe no país", diz Stofer, citando a necessidade de estimular outros instrumentos de financiamento como o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

O presidente da Abecip, Octavio de Lazari Junior, estima que volume atual recursos aplicados nas cadernetas sejam suficientes para alimentar o crédito imobiliário até 2014. Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivo de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), Luiz Roberto Calado, "a poupança continua sendo um investimento seguro e não deve deixar de ser procurada pelos poupadores mais simples, que não conhecem ou têm medo dos fundos de investimento e ações".

O vice-presidente de Governo e Habitação da Caixa Econômica Federal (CEF), José Urbano Duarte, ressalta que, como todo o estoque anterior à nova regra ainda mantém os antigos critérios de remuneração, não há impacto imediato para a poupança. Duarte destaca que, após a entrada em vigor das novas regras, o volume de captações aumentou, o que mantém um cenário positivo para as operações de crédito imobiliário. Segundo ele, há recursos da poupança disponíveis para os financiamentos até 2013 na CEF.

Os principais agentes do mercado destacam a necessidade de expansão do crédito imobiliário no país,
mas ressaltam a dificuldade de manter os níveis de crescimento recentes. A Abecip estima crescimento de 30% do crédito imobiliário neste ano em relação ao passado, quando os financiamentos, somando-se os recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - de R$ 79,9 bilhões - e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) - de R$ 32,2 bilhões - atingiram R$ 112,1 bilhões.

Essa projeção é inferior à alta de 42% registrada em 2011. Segundo o vice-presidente da Abecip, essa desaceleração não significa um resultado negativo para o setor, já que os níveis registrados nos anos anteriores ocorreram em patamares elevados e não há como o mercado sustentar essa altas.

Os dados da Abecip mostram que nos primeiros três meses do ano os resultados do setor ainda estão longe da projeção para 2012. Os financiamentos, somando o SBPE (R$ 17,6 bilhões) e FGTS (R$ 8,5 bilhões) atingiram R$ 26,1 bilhões no trimestre, alta de 10% sobre o mesmo período do ano anterior.
Em unidades financiadas, a alta foi somente de 1%, 234 mil unidades nos três primeiros meses do ano, contra 231 mil em 2011. Mas se forem consideradas somente as unidades financiadas com fundos da poupança, houve uma queda de 1% no período - 104,8 mil unidades, contra 105,8 mil no mesmo intervalo do ano anterior.

Segundo Roncolato, a Abecip não revisou os números para o ano, ainda que as projeções iniciais do PIB - que influenciam diretamente o setor - de 3,2% possam não ser confirmadas ao longo do ano. "Historicamente os resultados do setor imobiliário costumam ser melhores no segundo semestre do ano", diz.

Duarte ressalta que o volume de crédito imobiliário tem mostrado forte evolução desde 2004, quando a relação era de apenas 1,3%, e deve continuar crescendo nos próximos anos. "A expectativa é de que até 2014 a proporção entre crédito imobiliário e PIB chegue a 11%", diz.


terça-feira, 22 de maio de 2012

SUV avança ao oferecer requinte e segurança

Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo 

A vocação para trafegar em todo tipo de terreno com conforto, segurança, design moderno e equipamentos sofisticados faz aumentar a preferência pelos veículos utilitários esportivos (ou SUVs, na sigla em inglês). O segmento de SUVs no Brasil tem apresentado um resultado melhor do que a média no setor de autos e comerciais leves. De janeiro a abril, foram emplacados 75.862 SUVs grandes, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição dos Veículos Automotores (Fenabrave), uma alta de 4,2% sobre o mesmo período do ano passado, enquanto o resultado geral teve queda de 3,14%.

Até meados de maio, os emplacamentos de SUVs grandes caíram 7,8% em relação a abril, bem menos do que os dos automóveis e veículos comerciais leves, que recuaram 13,82%.
A queda em maio foi atribuída ao aumento de 30 pontos no Imposto de Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis importados, além da restrição aos financiamentos por parte dos bancos. Entretanto, executivos do setor apontam que a queda foi menor por conta do alto poder aquisitivo dos clientes do segmento.

A expectativa do setor é que o segmento tem espaço para crescer. O gerente de produtos da Toyota no Brasil, Anselmo Borgheti, avalia que há uma grande demanda de consumidores por veículos que passam uma sensação de robustez e segurança, mas ao mesmo tempo dispõem de espaço e conforto, e podem ter um uso misto.

O presidente da Jaguar Land Rover para América Latina e Caribe, Flavio Padovan, acredita no potencial de crescimento do mercado. As vendas da Land Rover - marca associada ao uso fora de estrada aliada a sofisticação - cresceram 35% neste ano, impulsionadas pelo modelo Range Rover Evoque, cujas linhas estão mais próxima de um crossover (mistura de sedã com SUV). Foram emplacados 1.906 Evoque neste ano.

Marcas conhecidas pelo requinte e conforto também apostam em SUVs e crossovers. A Mercedes-Benz, por exemplo, é representada pelo GLK 300; a Porsche, pelo Cayenne; a Audi pelos modelos Q; e a BMW pela família X.

A japonesa Mitsubishi baseia grande parte do seu marketing no forte desempenho da marca em competições de rally como a tradicional Paris-Dakar, onde soma 12 vitórias. Além da tradicional família Pajero, que pode ser considerada SUVs "pura", a Mitsubishi tem no mercado os crossovers ASX e Outlander. O ASX será produzido no Brasil a partir do meio do ano. Mas o carro chefe em vendas da companhia ainda é o "jipinho" Pajero TR4, o sexto colocado no ranking de SUVs grandes.

A briga pela liderança do mercado de SUVs deve esquentar com o lançamento do Trax pela General Motors. A GM já apresentou a imagem do carro, que será um modelo global, vendido em mais de 140 países. Chegará ao mercado europeu no fim deste ano e deve estar à venda no Brasil em 2013.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ganho de escala é essencial para impulsionar uso de fonte solar

Por Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo

A produção de energia solar ainda está distante da viabilidade comercial no Brasil, mas empresas do setor já estão investindo na implantação de usinas, na expectativa de que os custos possam ser reduzidos nos próximos anos, da mesma forma que ocorreu com a energia eólica. Em contrapartida, a indústria de aquecedores solares - destinados ao aquecimento de água - continua a apresentar crescimento, mas num ritmo inferior aos dos anos anteriores. O custo de geração da energia solar oscila entre R$ 300,00 e R$ 400,00 por megawatt-hora, de três a quatro vezes a média das outras formas de energia. Mas esse valor vem caindo de 15% a 20% ao ano.

O diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Hamilton Moss, diz que a competitividade da energia solar no Brasil está associada ao fator de escala e à consolidação de uma cadeia produtiva nacional. De acordo com ele, a atual situação macroeconômica europeia e a redução do subsídio em alguns países para a energia solar fotovoltáica vêm induzindo as empresas desse setor a buscar novos mercados, pois há um excesso de oferta de equipamentos no mundo.

"O Brasil apresenta-se como um mercado potencial, tanto para suprir uma possível demanda interna quanto estabelecer-se como uma plataforma de exportação aos países sul-americanos e da África subsaariana. A redução contínua dos custos dos sistemas fotovoltáicos sinaliza um novo nicho em ambientes urbanos" afirma ele.

A MPX estruturou o primeiro empreendimento comercial do país de geração solar no município de Tauá, no Ceará. A Solar Tauá conta com 4.680 painéis fotovoltáicos para converter a energia solar em elétrica, numa área de aproximadamente 12 mil m2. Cerca de R$ 10 milhões foram investidos na unidade, cuja capacidade inicial é de 1 MW - o bastante para suprir 1.500 residências.

A Odebrecht Energia entrou no setor de geração solar com a implantação de usina na Arena Pernambuco, uma das sedes da Copa de 2014, em construção pela Odebrecht Infraestrutura, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana de Recife. A instalação está prevista para o segundo semestre. A expectativa é de que a operação comece em junho de 2013. A usina solar terá investimento de R$ 13 milhões e vai gerar 1 MWp de potência instalada, o equivalente ao consumo médio de uma cidade de seis mil habitantes.

O diretor de geração da Odebrecht Energia, Fernando Chein, diz que o empreendimento viabilizado na Arena Pernambuco poderá servir de modelo a outros projetos de energia solar que a empresa possa desenvolver no futuro. Chein avalia que há um grande potencial para a expansão dessa matriz energética no país. "A vocação do país é pelo uso da energia renovável", afirma.

A Light Esco Prestação de Serviços e a EDF Consultoria em Projetos de Geração de Energia Elétrica constituíram um consórcio para desenvolver, construir e operar uma usina de geração por energia solar, com capacidade de 391 kW, que será instalada na cobertura do estádio do Maracanã, no Rio, uma das sedes da Copa do Mundo. O investimento previsto é R$ 7 milhões e a energia gerada será comercializada no mercado livre.

Governos incoporam a experiência corporativa

Por Paulo Fortuna
Para o Valor, de São Paulo

Os padrões de excelência consagrados no setor privado na área de comunicação corporativa estão cada vez mais disseminados no setor público com o aumento da presença das agências dentro dos governos, autarquias e estatais. Ferramentas de comunicação estratégica, como análise de imagem e índices de avaliação de resultados, já foram incorporadas à rotina de muitas entidades públicas, assim como uso intensivo das redes sociais. Em muitos casos, a atuação das agências de comunicação já supera os limites do atendimento à imprensa e do próprio território nacional.

É o caso da campanha desenvolvida pela CDN Comunicação Corporativa para a Secretaria de Comunicação da Presidência da República com o objetivo de divulgar a imagem do Brasil no exterior. Segundo o vice-presidente da CDN, Andrew Greenlees, além de realizar teleconferências com autoridades brasileiras com a imprensa internacional, a agência realizou um trabalho junto a analistas de mercado e grupos de estudos acadêmicos nos Estados Unidos e na Europa. Ele lembra que, nos últimos anos, há um crescente interesse no exterior por assuntos relacionados ao Brasil, e consequente na quantidade de especialistas que se dedicam ao País.

Esse trabalho rendeu duas premiações à CDN: Stevie International Business Award 2011, na categoria Campanha de Comunicação do Ano “Global Issues”, com a atuação desenvolvida em parceria com a Fleishman-Hillard, que incluiu uma série de 16 teleconferências com autoridades brasileiras para jornalistas e analistas estrangeiros; em 2010, com o Golden World Awards for Excellence in PR - concedido pela Associação Internacional de Relações Públicas (IPRA) na categoria Media Relations, com as ações de Relações Públicas realizadas durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 15).

“Esse trabalho foi importante para difundir bem as posições do Brasil durante as conferências”, diz Greenless se referindo à COP 15, realizada em Copenhague. Além dessa atuação junto à Secom – que inclui ainda a análise da imagem do Brasil em 49 veículos internacionais - a CDN também é responsável pelo atendimento no governo federal do Banco Central, Ministério do Trabalho, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Um dos grandes desafios das agências de comunicação é atender à demanda de entidades governamentais que têm grande visibilidade não só em relação à mídia, mas também em diversos segmentos da sociedade. A FSB Comunicações atende ao Ministério da Saúde, que tem diversas ramificações. “Na realidade, pelo tamanho da estrutura, há vários ministérios dentro do Ministério da Saúde”, destaca o sócio-diretor da FSB, Moisés Andrade Gomes. Segundo Gomes, há uma estrutura com 42 profissionais para prestar o atendimento ao Ministério da Saúde.

Uma das principais ações da FSB dentro do Ministério foi a divulgação da Campanha Nacional de Vacinação e Eliminação à Rubéola, com um plano de comunicação da qual fez parte um cronograma de ações para manter o assunto na imprensa durante os quatro meses de campanha.. Dentro do governo federal, a FSB atende também o Ministério dos Esportes e Ministério do Turismo.

A FSB também se destacou numa área cada vez mais importante dentro das agências : o trabalho nas redes sociais. A FSB ganhou a medalha de prata no Festival de Cannes em 2011 na Categoria Melhor Uso de Mídia Social, com trabalho realizado junto ao governo do Estado do Rio de Janeiro, tendo como cenário a reação das organizações que dominavam o tráfico de drogas durante o processo de pacificação das favelas. A estratégia foi aproximar a ação e os policiais aos cidadãos conectados às redes, humanizando a atuação do estado. Isso incluiu o treinamento de porta-vozes exclusivos para a Web.

A atuação das agências no Brasil no setor público acompanham um quadro que está consolidado em outros países. Portanto, a experiência internacional pode ser de grande valia de atuação neste campo. A S/A Comunicação firmou parceria com uma das principais agências de comunicação do mundo, a Kreab & Gavin Anderson, com sede em Estocolmo e Londres. De acordo com o diretor-geral da S/A, Marco Antonio Sabino, a companhia atuou por exemplo, na Islândia, durante a grave crise financeira em 2008, e no Japão, logo após o tsunami, no ano passado.

Sabino ressalta que as mesmas ferramentas de Public Relations (PR) exigidas hoje no trabalho do setor privado, também se tornaram importantes para a atuação da agência no setor público. “Hoje não há nenhuma diferença entre as ferramentas estratégica de gestão que são utilizadas pelo setores público e privado”, diz Sabino.

Um dos resultados mais significativos da S/A ocorreu na campanha desenvolvida para Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo no combate e prevenção da dengue, que foi finalista em 2009 no Festival de Cannes, na categoria de PR. A estratégia a agência foi conquistar espaços nos noticiários, identificar formadores de opinião – líderes comunitários, religiosos e dirigentes de entidades em geral - para distribuir material informativo e agendar palestras, além de gerar ações de PR nas ruas dos bairros da capital paulista mais atingidos.

Na esfera pública, a S/A desenvolve trabalhos junto à Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, a Agência de Fomento Paulista/Nossa Caixa, do governo estadual, além de municípios no interior paulista.

O vice-presidente corporativo da ESPM, Emanuel Publio Dias, destaca que as agências trouxeram ferramentas importantes da área corporativa, mas ressalta que o trabalho de comunicação no setor público oferece desafios que nem sempre são tão presentes nas empresas privadas. Com relação à propagação de informações, por exemplo, uma empresa pode decidir se divulga ou não uma notícia estratégica. “Já o governo tem obrigação de se comunicar com o cidadão, porque quem está lá foi eleito ou indicado por alguém que foi eleito”, ressalta ele.

Dias ressalta que existem casos em que as duas coisas podem se confundir, como no caso dos bancos públicos e algumas estatais. Ao mesmo tempo em que a comunicação tem que ser planejada pensando num mercado com outros grandes concorrentes, essas entidades têm obrigação de comunicar ao público sua atuação, já que o principal controlador é o Estado.